
Carlo Dall Anese
Agito Curitiba - Carlo você foi eleito o melhor DJ 2006/2007 e melhor produtor 2008. Quais os principais desafios para administrar isso?
Quando eu falo ‘a gente’, digo eu e o Fábio Castro meu parceiro em estúdio, meu super amigo, a gente compõe as músicas juntos. Claro é super legal, super gratificante receber prêmios, mas também tem o outro lado para administrar. A gente sempre se esforça para não dar muita importância pra esse tipo de prêmio. Primeiro que se a gente ficar se cobrando essas premiações, a gente se desaponta quando não ganha. Claro que apesar da gente ficar super feliz, a gente se preocupa mesmo com que o público está pensando, com a reação das pessoas.
Vemos as pessoas fazendo vídeo clips das nossas músicas e colocando no you tube com imagens da vida pessoal delas com a música servindo de trilha, de pano de fundo para uma viagem gostosa que algumas pessoas fizeram, por exemplo. Acho que se juntar os dois maiores vídeos de Monday dá mais de 1 milhão de views os comentários positivos, a pista bombando é muito bom!
Tudo isso faz com a gente pense, poxa o público está gostando da gente! Eu costumo falar que meu trabalho é fazer as pessoas felizes, entreter as pessoas e fazer com que elas se sintam felizes com meu set, com as minhas músicas, com as coisas que a gente compõe. A gente adora receber prêmios, claro, mas de nada iria valer se o público não tivesse acompanhando a gente. Então o meu maior prêmio é o que a galera ta curtindo aí.
Agito Curitiba - Quais são os projetos para 2009 como produtor?
A gente tem feito muita coisa, tem Hey que é uma música que a gente está trabalhando agora, ainda não saiu oficialmente por label nenhum, mas está tocando em rádios no Brasil, em São Paulo na Energia 97 a gente andou ouvindo na Joven Pan, enfim ta rolando bem os DJs estão tocando, as pessoas estão gostando. Tem outros dois tracks que a gente já compôs. Não é o nome oficial dela ainda, mas a gente chama de Tuesday, fala sobre a terça-feira em casa depois da loucura, da correria das gigs no fim de semana, é um track bem legal que a gente está começando a trabalhar nela essa semana, já escrevemos a letra e ficou bem bacana. Tem outro track também chamado Coming home, que fala sobre essa volta pra casa, de estar acolhido no nosso lar, com a correria toda das viagens.
Enfim, a gente está produzindo, fazendo música de acordo com nosso tempo, tenho feito músicas com Diego também, algumas mais eletrônicas e menos melódicas, inclusive um track que a gente fez ‘Brigadeiro demais engorda’ ta saindo agora pela Renaissance, que é um super label Inglês. Tem a ‘Gates of Haven’, que é bem underground que eu fiz com o Fábio e saiu pela Great Stuff num álbum super badalado que chama Munic Disco Tech, enfim, estamos produzindo, estamos fazendo, no nosso pique no nosso ritmo, mas está rolando.
Agito Curitiba - Você é presença garantida nos grandes festivais aqui no Brasil. Qual a diferença de tocar aqui, e em países como Espanha, Inglaterra, Chile e Rússia?
Bom eu sou um apaixonado e vidrado pelo Brasil, gosto demais do Brasil, gosto do público daqui, gosto de viajar aqui. Acho que nada melhor de estar num lugar em que falam nossa língua, apesar de eu falar inglês bem, falar um pouco de espanhol também, arranhar um pouquinho de italiano eu acho que nada como a gente falar nossa língua. Se relacionar com as pessoas que falam nosso idioma, no país que a gente nasceu, país que a gente ama, eu gosto muito do Brasil. Viajar fora é sempre legal pelas gigs internacionais, estar viajando por tocar em lugares diferentes também por essa magia de conhecer pessoas diferentes e culturas diferentes. As gigs são legais. Felizmente quando eu toco fora eu toco em clubs bons, não toco nos barracos, graças a Deus. Já toquei nos maiores clubs de Ibiza, já toquei em Barcelona, nossa já toquei em tantos lugares...Inglaterra, Chile, Itália, Sibéria, Rússia, alguns países do leste europeu. É uma gig como qualquer outra, mas meu foco aqui é Brasil. Minha carreira é Brasil mesmo, eu procuro sempre que eu começo o ano e faço meu planejamento é ter aí três ou quatro turnês no ano e já está ótimo. Não pretendo levar minha vida como World Wild DJ viajando o mundo não. A turnê da Europa começou em julho e foi bem legal. Fiz uma em julho, e outra em agosto. Na de julho eu toquei na Wonderland com Pete Tong em Ibiza, no super club o Éden, que é um club bem legal. Toquei também no Café Savannah que tem um sunset incrível em Ibiza. Tinha cartazes espalhados na cidade inteira com meu nome e foi super gratificante. Essa segunda turnê que fiz, toquei na Itália numa cidade que chama Pula, que é uma cidade turística que fica na ilha da Sardegna, foi muito legal, tenho ótimos amigos por lá. Escutei muita música local lá, eles tinham uma banda incrível que chamava Martinicas, uma banda de italianos que tocam música brasileira ao vivo, é muito legal. Tive essa gig na Sardegna, tive a gig na The Loft, que é um club de Barcelona que eu estou voltando já pelo 3º ano, é um público que me acolhe muito bem.
Agito Curitiba - Como é tocar com grandes nomes da cena eletrônica mundial?
É legal pelos caras, eu gosto deles como pessoa. Fat Boy Slim é um cara bem bacana, o John é um cara bem legal também. Eles são pessoas muito cultas, pessoas muito vividas, muito viajadas, é sempre legal a gente manter contato com esses caras. Gosto demais de tocar e conversar com eles. Dá pra falar que a gente é amigo sim, mas faz um tempinho que a gente não se fala, mas quando se encontra é sempre bem legal. É muito prazeroso tocar com esses caras, a gente sempre aprende muito. Escutando Fat Boy Slim às vezes ele tocando coisas comerciais, coisas aparentemente óbvias eu aprendo muito com ele. Por outro lado ouvindo John tocar coisas super undergrounds, super estranhas, super de vanguarda eu aprendo muito com ele também. Na verdade a gente aprende ouvindo qualquer DJ né, às vezes eu me supreendo tendo certas sacadas com DJs que estão começando agora, então a gente nunca deixa de aprender. O DJ está sempre evoluindo está sempre absorvendo coisas novas e se o cara tem o raciocínio de que ahhh agora eu sei tudo, aí acabou a carreira.
Agito Curitiba - Fale do grande sucesso de Monday produzido em parceria com Fábio Castro que é uma das 10 mais tocadas na Europa.
É uma música que a gente fez meio que por acaso, fizemos sem muitas pretensões, aconteceu e trouxe muitas coisas boas na nossas vidas. Conhecer o Fábio fez muito bem pra mim como ser humano, o Fábio me conhecer fez muito bem pra ele, a gente brinca muito com isso, fala que a gente se completa como amigos e como produtores. É sempre bom ver as músicas fazendo sucesso. Legal é que depois que a gente fez o Monday, as portas se abriram e as pessoas começam a ouvir a gente com mais facilidade. As pessoas ficam mais receptivas a ouvir um track de determinado artista quando elas já conhecem esse artista. Essa foi a melhor parte do Monday. Agora a gente tem mais autoridade para chegar e tocar certas coisas e fazer certas coisas sem se preocupar tanto em ser politicamente correto, isso é muito legal.
Agito Curitiba - Já tocou para o público curitibano? Como é tocar para eles?
Sim toquei muitas vezes, toquei dezenas de vezes em Curitiba. Faz mais de 10 anos que eu toco em Curitiba. Toquei nas festas grandes, na ópera de arame e, indo mais pra trás ainda, no Cabral.
É aquela tal história agora como as pessoas talvez me conheçam mais como produtor, meio que passa uma régua no passado e, aí as pessoas tratam como o Carlo conhecido mais famoso né?!
Foi até engraçado na Lique vieram umas 3 pessoas falar comigo em inglês, acham que a gente é gringo. Meu nome não é João da Silva, é um nome mais italiano mesmo que é a minha descendência. Carlo Dall Anese é puro italiano. Então as pessoas chegam falando inglês, eu acho até engraçado, acho curioso (rs), até dou uma bronca falo “Sou brasileiro, pô!” E as pessoas falam nossa mas que ótimo DJ brasileiro, faz músicas e tal. Brasileiro é bom, brasileiro é f****. E é mesmo, isso é uma coisa que me surpreende. Essa mania que todo mundo tem, não que eu me ofenda, de jeito nenhum, acho curioso, mas, o que é bom vem do Brasil sempre. Não é porque é bom que deve vir de fora, de jeito nenhum. É ótimo tocar para o curitibano, as mulheres são incríveis, lindíssimas, o povo é super legal.
Estou tendo um relacionamento legal com o pessoal da Lique, gosto demais dos produtores, os promoters do club são super gente fina, adoro eles. O que eu acho de Curitiba...a cidade é muito linda. Eu acho que se não fosse São Paulo, Curitiba fosse uma cidade que eu moraria com certeza. Eu não sou muito de praia, de calor e Curitiba reúne aí essa parte estrutural de cidade grande, que é uma cidade super estruturada, uma cidade super evoluída, super bacana. Que é friozinho, é legal, talvez se eu não fosse paulista, talvez eu fosse curitibano sim.
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