Lendas da Cataratas do Iguaçu contada através da dança
O Balé Teatro Guaíra comemora 40 anos de criação apresentando ao público uma nova coreografia que fala sobre a lenda das Cataratas do Rio Iguaçu, uma das mais belas atrações turísticas do Brasil.
O espetáculo será apresentado no Guairão na sexta-feira, dia 25 e no sábado, 26 às 20h30 com ingressos a R$5,00 e no domingo, 27 às 18h ( Teatro para o Povo) com entrada franca.
A coreografia é assinada pelo paulista Rui Moreira. Esta versão de “Lendas das Cataratas do Iguaçu” é baseada na nova partitura musical do compositor Jaime Zenamon, criada especialmente para a dança.
A coreografia mostra um pouco da história das raízes do povo brasileiro, os costumes e as crenças dos índios Caingangues (ou ainda kaingang, kanhgág), povos do Brasil meridional, e que hoje estão quase extintos.
A lenda fala sobre o surgimento das quedas do Rio Iguaçu, que antes deslizava livre, sem corredeiras e sem cataratas. Os índios Caingangues, que habitavam em suas margens acreditavam que o mundo era governado por MBoi, um deus que tinha a forma de serpente e era filho de Tupã.
Os índios tinham o costume de consagrar a jovem mais bonita da tribo ao deus-serpente. Naipi, filha do cacique Igobi, foi escolhida. Mas um forte guerreiro chamado Tarobá se apaixonou por ela e um certo dia após anunciada a festa de consagração, enquanto os índios festejavam, Tarobá raptou a formosa Naipi fugindo com ela rio abaixo numa canoa.
Quando MBoi ficou sabendo se enfureceu e se escondeu embaixo da terra. Isso fez com que a terra rachasse e naquele ponto se abriu uma extensa e terrível catarata. Na queda de 80 metros de altura, os corpos dos dois amantes desapareceram para sempre.
Naipi foi transformada numa das grandes rochas centrais das cachoeiras. Tarobá virou uma árvore em uma das gargantas do rio.
Ambos permanecem ali, Tarobá condenado a contemplar eternamente sua amada sem poder tocá-la. E bem debaixo do seu pé encontra-se a entrada da gruta onde o vingativo deus espreita para sempre os dois amantes.
Segundo a diretora do Balé Teatro Guaíra, Carla Reinecke “esta montagem é especial para comemorar com o público paranaense, do que buscar em alguma das suas raízes um projeto para uma nova obra coreográfica”.
“A nova versão coreográfica é de Rui Moreira, coreógrafo que muito tem se voltado para as raízes de nosso povo brasileiro. Jaime Zenamon que acabou por criar uma nova partitura, dessa vez especialmente para a dança, partilha do mesmo amor pelo nosso folclore, portanto a união foi perfeita, diz ela.
Para Rui Moreira esse trabalho é um novo desfio. “No ano em que uma das mais importantes companhias de dança da América Latina completa 40 anos, fui convidado para montar uma nova versão para uma das peças de seu repertório. Não só uma peça, mas uma criação de Carlos Trincheiras, um dos mais carismáticos e importantes diretores desta Companhia. De forma respeitosa, trabalhei com toda a reverência a este criador ímpar que deixou um legado que me tocou ao reler sua obra”, afirma.
O compositor - Jaime Mirtenbaum Zenamon
Compositor, maestro e concertista. Nasceu em 1953 em La Paz. É brasileiro naturalizado. Radicou-se em Berlim, Alemanha, a convite da Hochschule der Künste (Universidade de Berlim), onde ocupou o cargo de professor docente de 1980 a 1992.
Entre concertos, seminários, palestras e festivais que participa, é em sua chácara em Curitiba-Brasil, onde possui seu estúdio que, em integrado contato com a natureza busca inspiração para novas peças musicais.
Autor de inúmeras peças para violão, violino, violoncello, flauta, oboé, bem como, várias obras para orquestra e ballet, destaca-se pelo seu estilo todo particular, lembrando o romantismo. As suas músicas retratam uma linguagem própria, plenamente acessível a todos os ouvidos e sempre agradável" (Comentários da Revista Classic Guitar (Inglaterra). Possui também diversas trilhas sonoras compostas para filmes.
Bale Teatro Guaíra
Criado pelo Governo do Paraná, em 1969, através da Secretaria de Educação e Cultura, o Corpo de Baile da Fundação Teatro Guaíra, como então se chamava, teve como primeiros diretores Ceme Jambay e Yara de Cunto.
Em 1971, Yurek Shabelewski, coreógrafo de renome internacional, é contratado para dirigir o Corpo de Baile, função que exerceu durante cinco anos. Neste período montou obras como Paixões Rebeldes (Bach), Pastoral (Glazunov), etc. Mosaicos, com música de Marlos Nobre, inaugurou o Auditório Bento Munhoz da Rocha Netto, em 1974, e para a Temporada Oficial de 1975, foi montado o 2º ato da obra O Lago dos Cisnes. No ano seguinte, o bailarino e coreógrafo Hugo Delavalle, assumiu a direção e produziu, entre outras, as obras As Estações (Glazunov), Jeux des Cartes (Stravinski) e Gisele (Adam/ Coralli). Com esta montagem, em 1977 a companhia tornou-se conhecida nacionalmente, depois de uma bem sucedida temporada em São Paulo e no Rio de Janeiro, tendo Ana Botafogo no papel título.
Em 1979, com seu nome modificado para Ballet Teatro Guaíra, a companhia passou a ser dirigida pelo coreógrafo português, Carlos Trincheiras. Sob sua direção, que foi até 1993, obras importantes de sua própria autoria e de outros renomados coreógrafos passam a integrar o repertório do BTG. Entre as diversas coreografias de Trincheiras estão: Dimitriana, Canto de Morte, Sinfonia 3, Petruchka, Sagração da Primavera, Lendas do Iguaçu, com música de Jaime Zenamon e encenada nas Cataratas do Iguaçu. Destaca-se O Grande Circo Místico, obra inspirada no poema de Jorge de Lima com música de Edu Lobo e Chico Buarque, especialmente composta para o Balé Guaíra, com roteiro de de Naum Alves de Souza, que consagrou o BTG, tornando-o conhecido também internacionalmente.
Com a morte de Carlos Trincheiras, em 1993, assume a direção sua esposa, Izabel Santa Rosa, que até então era maître da companhia. Após essa fase o BTG teve como diretores Jair Moraes, Marta Nejm e Cristina Purri, e diversos coreógrafos convidados tais como: Luis Arrieta, Tíndaro Silvano e Márcia Haydée que criou uma nova versão para a obra Copélia, chamada Coppéllius, o Mago.
Em 1999, assume a direção Suzana Braga e a companhia é dividida em duas. É criada então pela direção do teatro o Guaíra 2 Cia. de Dança com bailarinos do BTG que desejavam se voltar para a pesquisa em dança contemporânea, grupo que ficou sob a direção de Carla Reinecke.
Em 2002, Luis Arrieta coreografou uma nova versão de O Grande Circo Místico para a qual Edu Lobo e Chico Buarque revisaram as músicas, Rosa Magalhães criou novos figurinos e cenário, e Dani Lima se encarregou das coreografias aéreas. Mais uma vez o Balé Teatro Guaíra, levado em turnê por todo o país, é consagrado como uma das melhores companhias do Brasil, repetindo o sucesso da 1ª versão.
Em 2003, assume a direção Carla Reinecke, coreógrafa e diretora do Guaíra 2 Cia. de Dança, acumulando a direção das duas companhias. Dá continuidade aos convites de apresentação de O Grande Circo Místico e de O Segundo Sopro, e às turnês já agendadas.
Em 2004, para as comemorações dos 35 anos do BTG, são remontadas duas obras importantes do repertório, Pastoral (Beethoven) de Milko Sparemblek e Exultate Jubilate (Mozart) de Vasco Wellenkamp, com participação da Orquestra Sinfônica do Paraná, e é feita uma homenagem a todos os ex-integrantes do BTG. Em junho estréia uma nova obra com coreografia de Henrique Rodovalho, Espaços, com música de A. Schonberg e Tracy Silverman, que executou sua própria obra junto com a orquestra. Uma nova versão de O Quebra-Nozes, com coreografia e direção de Carla Reinecke, fecha o ano superando as expectativas de público.
Em 2005 foram criadas duas novas obras, Verschwinded Kleine Welt (Pequeno Mundo) de Felix Landerer e Caixa de Cores de Luiz Fernando Bongiovanni. O grande sucesso de O Quebra-Nozes em 2004, garantiu a sua reapresentação no ano seguinte, ratificando a versatilidade da Companhia no trânsito entre o contemporâneo e o balé clássico.
Em 2006, a companhia levou seus mais recentes trabalhos e seu grande sucesso de público O Segundo Sopro em apresentações em diversas cidades do país, além das suas temporadas de espetáculos em Curitiba.
Em 2007, o projeto Atelier Coreográfico foi retomado com grande sucesso de público. Este projeto que tem por objetivo o desenvolvimento do potencial criativo dos bailarinos e servir como celeiro de futuros coreógrafos, teve sua temporada de estréia em junho no Auditório Salvador de Ferrante (Guairinha) com 6 coreografias em seu programa. Em 2008 estréia com sucesso de crítica e de público a obra “Romeu e Julieta”, com uma coreografia inédita assinada por Luiz Fernando Bongiovanni e acompanhada pela Orquestra Sinfônica do Paraná, sob a regência de Andrea Di Mele; no segundo semestre a companhia apresenta a 2ª edição do Atelier
Coreográfo
O ano de 2009 foi marcado por apresentações realizadas em diversas cidades do interior do Paraná com o objetivo de oportunizar a um outro público as obras de maior sucesso da companhia. E o fato mais importante: o Balé Teatro Guaíra completa 40 anos de muito trabalho, sucesso e espetáculos de dança de grande sensibilidade e competência. Ainda este ano, um livro que registra os momentos mais importantes desta história será lançado para que a memória deste patrimônio cultural paranaense não se perca.
Serviço: Lendas da Cataratas do Rio Iguaçu, no Guairão. Dias 25,26, às 20h30 e 27, às 18h (Teatro para o Povo). Ingressos: R$5,00 ( nos dias 25 e 26). Desconto de 50% para portadores do Cartão Teatro Guaíra e no dia 27 a entrada é franca.
Coreografia: Rui Moreira. Música: Jaime Zenamon (especialmente composta). Elenco: Naipi- Mari Paula ou Luciana Voloxki. Tarobá - André Neri ou Daniel Siqueira. Serpente - Daniel Siqueira ou Claúdio Fontan. Pajé - Fábio Valladão ou Ricardo Garanhani. Pássaros - Alessandra Lange, Juliana Rodrigues, Luciana Voloxki ou Mari Paula, Nina Monteiro, Pamela Sobral, Thayne Fernandes. Mães - Elenora Greca, Regina Kotaka, Soraya Felicio. Grupo: Alex Cajé, Déborah Chibiaque, Eraldo Alves, Erickson de Oliveira, Ian Mickiewicz, Jorge Schneider, Juliane Engelhardt, Leandro Vieira, Marina Teixeira, Nelson Mello, Patrich Lorenzeti, Patricia Machado, Pedro I. Zacarias, Renatah Bronze, Reinaldo Pereira, Simone Bonisch. Cenário: Cleverson Cavalheiro. Figurinos: Áldice Lopes. Iluminação: Cleverson Cavalheiro e Waldo de León.